| Ossadas encontradas no Piauí indicam que populações negroides e mongoloides conviveram na região entre 5 e 8 mil anos atrás 24 de novembro de 2010 | ||||||
| por Heloísa Broggiato | ||||||
No entanto, prospecções feitas nos últimos anos pela Fundação Museu do Homem Americano (Fundham) no Piauí encontraram esqueletos de adultos e fragmentos de ossos humanos queimados revelando que uma população com características mongoloides habitava a região entre 5 e 8 mil anos atrás. Teria ocorrido, portanto, uma troca de populações. A arqueóloga Gisele Daltrini Felice, uma das responsáveis pelas descobertas no sudoeste do Piauí, ressalta que serão realizados estudos específicos de antropologia física em todos os esqueletos humanos encontrados. Ela explica que a importância dessas descobertas é a possibilidade de se verificar o tipo físico e conseguir dados sobre ritos funerários para identificar como se comportavam os diferentes grupos que ocuparam a região. O local dos achados não poderia ter nome mais adequado: Serra das Confusões. | ||||||
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sábado, 27 de novembro de 2010
Brasil pré-histórico teve troca de povos
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Exposição em Berlim documenta trabalhos forçados durante o nazismo
Museu Judaico de Berlim explicita, em mostra itinerante, a dimensão do horror do trabalho forçado durante o período nazista na Alemanha.
Fonte:Dw-World
"Coluna Grünspan, aprendam a trabalhar!" são os dizeres estampados em um cartaz levantado por dois homens, atrás dos quais estão aproximadamente 12 outros em fila. Com pose militar, eles carregam pás e picaretas como se estivessem segurando armas.
Os judeus, tanto na Alemanha quanto nos territórios ocupados, foram as primeiras vítimas do sistema de trabalhos forçados implementado pelo regime nazista. Acusados de "se esquivarem do trabalho", eles eram humilhados e tinham suas imagens publicamente denegridas. O cinismo do regime chegava ao ápice nas inscrições lidas nos portões de entrada dos campos de concentração: "O trabalho liberta" (Arbeit macht frei).
Milhões de vítimas
Mais de 20 milhões de homens, mulheres e crianças, oriundos de toda a Europa, foram levados à força para a Alemanha ou confinados nos campos de trabalho forçado dos territórios ocupados. Volkhard Knigge, coordenador da exposição no Museu Judaico de Berlim e diretor do Memorial Buchenwald, localizado no ex-campo de concentração de mesmo nome, fala de um "crime público". No mais tardar a partir de 1941, milhões de pessoas foram submetidas ao trabalho forçado como auxiliares domésticos, na agricultura, em diversos setores da indústria e até mesmo nas igrejas.
Knigge afirma que houve uma "penetração profunda do nazismo na sociedade alemã", o que faz com que o título da atual exposição no Museu Judaico seja tão adequado e pertinente: Trabalho forçado. Os alemães, os trabalhadores forçados e a guerra.
A mostra foi financiada com quatro milhões de euros, disponibilizados pela Fundação "Memória, Responsabilidade, Futuro" – também conhecida como Fundação dos Trabalhadores Forçados – sediada em Berlim desde 2000, o ano de sua criação, e responsável pelo pagamento de cinco bilhões de euros de indenizações às vítimas do trabalho forçado, espalhadas por todo o mundo. Metade dos recursos angariados para esses pagamentos veio dos contribuintes e das empresas alemãs que, durante o período nazista, se aproveitaram da mão-de-obra barata e gratuita.
Frio gélido nas barracas
A exposição em Berlim, com aproximadamente mil fotos, cartas, além de áudios e imagens, deixa claro como o sistema de trabalho forçado funcionava perfeitamente. Denúncias em relação a judeus ou a ciganos das etnias sinti e rom, bem como comentários depreciativos sobre os chamados "trabalhadores estrangeiros", oriundos dos países ocupados pela Wehrmacht, eram corriqueiros. Os alemães teriam que ter tomado a decisão a respeito de como se defrontariam com essas pessoas, "se com um resto de humanidade ou com os critérios misantropos da ideologia racista", acentua o historiador Knigge.
Em estações espalhadas pela exposição, o visitante pode ouvir áudios gravados a partir de lembranças deixadas por escrito pelas vítimas, como por exemplo pelo francês Jaques Leperc, forçado a trabalhar, sob terríveis condições de higiene, na montadora BMW aos 20 anos de idade: "Na barraca onde fui instalado, fazia um frio horrível. Comecei a trabalhar: 12 horas por dia numa semana, e, na outra, turnos noturnos de 12 horas, que eram interrompidos por diversos ataques aéreos", lembra Leperc.
Apesar de extremamente debilitado, ele sobreviveu à exploração, aos maus-tratos e à falta de tratamento médico. De acordo com Knigge, a mostra pretende também prestar uma homenagem a esses trabalhadores forçados ainda vivos.
Elogio de um sobrevivente de Auschwitz
Pela primeira vez, é possível mostrar aspectos dos destinos dessas pessoas, inclusive no pós-guerra. Para isso, os historiadores responsáveis pelo projeto pesquisaram em diversos arquivos, privados e públicos, no mundo inteiro, mas especialmente na Europa, nos EUA e em Israel, tendo se surpreendido sobretudo com o amplo material fotográfico encontrado. Essas fotos, expostas como em um filme, possibilitam uma visão profunda da vida e do sofrimento dos trabalhadores forçados, o que fica claro nos vários exemplos individuais.
O historiador polonês Marian Turski, sobrevivente do Gueto de Varsóvia, bem como dos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald, ficou impressionado com os resultados da longa pesquisa. "Essa é uma exposição muito séria, inteligente e cuidadosamente preparada", diz ele, satisfeito com o fato de que a mostra deverá chegar também à Polônia. De Berlim, a exposição itinerante segue para Varsóvia, onde será inaugurada em 2011. Segundo o curador Knigge, há negociações em relação a outros países.
Esperanças de interesse por parte do Leste Europeu
Acima de tudo, os historiadores envolvidos esperam que a mostra desperte o interesse de países da antiga União Soviética, onde muitos desses trabalhadores forçados ainda foram estigmatizados como traidores da pátria ao regressarem a seus países. A equipe de organização da mostra já está, de qualquer forma, bem preparada caso a exposição desperte o interesse de outros países. O conceito da mostra foi desenvolvido em inglês, francês, polonês e russo.
Os visitantes da exposição deverão apreender também algumas informações acerca do pós-guerra, especialmente a respeito da repressão do tema "trabalho forçado". Isso ao ponto de, no ano de 1951, em Landsberg, milhares de pessoas terem ido às ruas protestar contra a execução de criminosos de guerra nazistas, que haviam sido condenados. O inacreditável lema dos protestos na época era: "Manifestação contra a desumanidade".
Indenizações são "justiça restrita"
Transcorreu mais de meio século até que o Estado alemão e as empresas do país – maiores beneficiadas com o trabalho forçado – indenizariam as vítimas, o que só ocorreu devido à grande pressão internacional.
O historiador Jens-Christian Wagner, também membro da equipe responsável pela exposição em Berlim, define as indenizações tardias como "justiça restrita". A ajuda humanitária aos sobreviventes do trabalho forçado só aconteceu quando 80% deles já haviam morrido, ressalta o historiador.
"E é preciso dizer com clareza que grupos grandes de trabalhadores forçados, como os prisioneiros de guerra soviéticos ou os italianos em internamento militar, nunca foram indenizados", lamenta Wagner. Ou seja, a história do trabalho forçado não chegou ao fim e nos arquivos ainda há muito material a ser descoberto e avaliado, completa o historiador.
Na fila com Imre Kertész
O polonês Marian Turski, que construiu estradas no campo de concentração de Auschwitz e trabalhou ao lado do escritor húngaro Imre Kertész, Nobel de Literatura, em Buchenwald, lamenta que apenas poucos dos sobreviventes em seu país possam ver a exposição.
"Os sobreviventes já estão, em sua maioria, idosos demais. E grande parte deles vive no interior do país. Para eles vai ser provavelmente difícil ir até Varsóvia para ver a mostra", completa Turski.
Depois de alguns segundos de hesitação, ele acrescenta como é realmente importante, contudo, que as próximas gerações, através desta exposição, aprendam mais sobre os crimes do regime nazista, acerca dos quais tantos silenciaram por tanto tempo.
Autor: Marcel Fürstenau (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Era Napoleônica: tecnologia militar
por Natalia Yudenitsch
A era napoleônica foi rica em invenções. As reformas educacionais, somadas à filosofia iluminista do século 18, que celebrava a ciência e a razão, levaram a um desenvolvimento do saber em todas as áreas do conhecimento. As constantes guerras que marcaram o período foram também as responsáveis por um sem-número de descobertas e aperfeiçoamentos no campo militar, como o pára-quedas. Apesar de já existir desde o século 12 na China e ter sido esquematizado por Leonardo da Vinci em 1485, ele foi reinventado na França em 1783 por Sébastien Lenormand e, dois anos depois, usado por Jean-Pierre Blanchard para demonstrar um salto de seu balão. Veja a seguir os inventos que entraram para a história das guerras.
Telégrafo óptico
A palavra telégrafo vem dos gregos tele (longe) e grapho (escrevo) - "escrever a distância". Quem colocou o conceito no mapa das guerras foi o francês Claude Chappe. Em 1792, ele instalou um sistema de telégrafo óptico entre as cidades de Paris e Lille. A linha de semáforos tinha duas réguas articuladas de madeira e uma terceira conectando as duas instaladas no topo de torres. A possibilidade das posições das réguas, que tinham entre 1 e 9 m, chegava a 196 combinações, que repassavam frases por símbolos codificados. O sistema era simples e eficiente, e transmitia um símbolo por todas as 15 torres através de cerca de 190 km, em menos de dez minutos. Uma mensagem típica tinha cerca de 36 símbolos. O sucesso desse primeiro sistema levou à construção de outras linhas, usadas por Napoleão para coordenar seus exércitos por toda a Europa.
Nautilus
Em 1800, o inventor americano Robert Fulton adicionou uma nova palavra ao dicionário naval: torpedo. Sua criação, o submarino Nautilus, foi o primeiro a oferecer a possibilidade de afundar navios inimigos através do disparo de bólidos explosivos recheados de pólvora. Com 6,50 m de comprimento, estrutura de ferro coberta de placas de cobre e lemes para o controle vertical, ele permitia que quatro passageiros ficassem submersos por até seis horas. Apresentava ainda uma torre de observação e propulsores operados manualmente. Financiado por Napoleão, o invento, contudo, não agradou. Mesmo depois de afundar uma escuna de quatro mastros, os franceses cortaram seu patrocínio em 1804. No ano seguinte, Fulton tentou vender o Nautilus aos britânicos, ao afundar um veleiro de 3 toneladas. Os ingleses também não se impressionaram. O motivo das recusas era a incapacidade de o submarino acompanhar a velocidade das esquadras navais, perdendo seu diferencial estratégico.
Comida enlatada
Manter as rações diárias do exército durante a marcha pela conquista do continente. Esse era o objetivo de Napoleão quando, em 1800, mandou anunciar uma recompensa de 12 mil francos para quem inventasse uma forma barata e eficiente de armazenar grandes quantidades de comida por longos períodos de tempo. A tarefa foi levada a sério pelo confeiteiro francês Nicolas François Appert. Após anos de testes, em 1809 ele faturou o grande prêmio ao apresentar sua criação: a comida enlatada. O método consistia em selar a vácuo vidros cheios de alimentos. Devido à fragilidade do material, contudo, os potes logo foram substituídos por recipientes de aço ou latão. Detalhe: o abridor de latas só foi inventado 30 anos depois. Na prática, porém, o invento teve um início de vida difícil. A dificuldade de enlatar a comida em massa, somada ao lento esquema de carregar e transportar as latas, atrasou tanto o processo que o aperfeiçoamento só aconteceu depois da guerra. Para azar do inventor francês, sua fábrica de enlatados, construída com o dinheiro do prêmio, foi queimada em 1814 durante a invasão da França pelas tropas aliadas. Com o fim das Guerras Napoleônicas e o gradual crescimento da população urbana, os enlatados se popularizaram por toda a Europa e os Estados Unidos.
O explosivo Shrapnel Shell
O exército britânico foi o primeiro a usar as munições explosivas mais conhecidas como shrapnel shell, em homenagem a seu inventor, o então tenente da Artilharia Real Britânica Henry Shrapnel. Em 1784, bancando o desenvolvimento do invento de seu próprio bolso, Shrapnel mostrou a seus colegas uma bala de canhão oca recheada de projéteis de chumbo, que explodiam no ar após o disparo. Os oficiais se interessaram, mas não o suficiente. Em 1787, o tenente aperfeiçoou ainda mais a munição, demonstrando o estrago feito por um projétil de morteiro com cerca de 200 balas de mosquete misturadas com pólvora. Apesar da aprovação dos generais, nada foi feito, até que, em 1792, Shrapnel conseguisse convencer um comitê do alto comando inglês a examinar a proposta de adicionar as balas explosivas ao arsenal do exército. A apresentação se deu em 3 de junho de 1803. Foi então montada uma linha de produção para a manufatura. No ano seguinte, depois que sua criação foi usada com sucesso em batalha, Shrapnel foi promovido a tenente-coronel.
Pólvora sem fumaça
Durante as Guerras Napoleônicas, uma das principais reclamações dos oficiais era a dificuldade em coordenar seus exércitos em campos de batalha quase invisíveis por causa da fumaça deixada pelas armas utilizadas. A solução só veio em 1886, quando o químico francês Paul Marie Eugène Vieille inventou a primeira pólvora sem fumaça, batizada de Poudre B (do francês poudre blanche, ou pó branco). À base de nitrocelulose misturada a álcool e éter, ela revolucionou o uso das armas de fogo nos combates. Comparada à pólvora negra, a pólvora química, como também é conhecida, permite mais mira e pressão com menor quantidade, produz menos fumaça e resíduos e ainda mantém o poder de explosão mesmo quando úmida. A Poudre B foi para combate no fim do mesmo ano nos rifles Rebel 1886, usados pela infantaria francesa.
Fonte: Revista Aventuras na História
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Escavação no Marco Zero de NY revela restos de barco do século XVIII
Embarcação estava sob o local onde ficava o World Trade Center. Local foi palco de atentado terrorista em 11 de setembro de 2001.
Da EFE, em Nova York
Os homens que trabalham do "marco zero" do sul de Manhattan encontraram os restos de um navio de quase dez metros de comprimento que poderia ser do século XVIII e que teria sido afundado nessa área do sul da cidade, quando essa mesma foi ampliada em direção ao rio Hudson, informou nesta quinta-feira (15) o "New York Times".
Os trabalhadores que retiram os escombros na área do marco zero se depararam com a embarcação na terça-feira. Os restos estavam enterrados a uma profundidade entre seis e nove metros abaixo de onde ficava, até 11 de setembro de 2001, o complexo do World Trade Center, construído na década de 1970, alvo de ataques terroristas que mataram 2.752 pessoas.
O Arquiteto Michael Pappalardo, da empresa AKRF, uma das contratadas pela autoridade portuária de Nova York e Nova Jersey para documentar os achados históricos que pudessem ser encontrados, disse que o navio poderia ter sido originalmente até dois ou três vezes mais longo do que a porção achada.
Trata-se da maior descoberta arqueológica realizada nesta cidade desde 1982, quando foram localizados os restos de uma embarcação mercante do século XVIII nas obras da Rua Water, no sul da ilha.
"A embarcação aparentemente data de meados do século XVIII e estava aí havia mais de 200 anos", assinala o jornal, que ressalta que os arqueólogos da cidade estão maravilhados pela importância do achado, muito perto de onde, segundo um mapa de 1797, havia um porto e onde se projetou construir um lago.
Os analistas também disseram que têm de agir rápido para resgatar a embarcação, já que seu casco de madeira, ao não estar já protegido pela terra, se deteriora rapidamente no contato com o ar, por isso que está sendo recoberto de barro.
A ausência de sol e a chuva que afetam Nova York nestes dias, no entanto, favorecem a conservação da embarcação, disse o arqueólogo responsável pelo patrimônio histórico nova-iorquino, Doug Mackey.
Entre os restos, os trabalhadores do Marco Zero encontraram também uma grande peça metálica semicircular pertencente ao navio e um sapato de couro da época.
Fonte: G1
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
"Praga da dança" matou centenas de habitantes de Estrasburgo em 1518
Epidemia começou em julho, com mulher bailando sem parar por 6 dias. Transe acabou envolvendo centenas de pessoas e durou até setembro.
Carnaval epidêmico - Vítimas da febre da dança morriam de ataque cardíaco, derrame ou exaustão (Imagem: reprodução)
Em julho de 1518, a cidade francesa de Estrasburgo, na Alsácia (então parte do Sacro Império Romano-Germânico) viveu um carnaval nada feliz. Uma mulher, Frau Troffea (dona Troffea), começou a dançar em uma viela e só parou quatro a seis dias depois, quando seu exemplo já era seguido por mais de 30 pessoas. Quando a febre da dança completava um mês, havia uns 400 alsacianos rodopiando e pulando sem parar debaixo do Sol de verão do Hemisfério Norte. Lá para setembro, a maioria havia morrido de ataque cardíaco, derrame cerebral, exaustão ou pura e simplesmente por causa do calor. Reza a lenda que se tratava de um bloco carnavaleso involuntário: na realidade ninguém queria dançar, mas ninguém conseguia parar. Os enlutados que sobraram ficaram perplexos para o resto da vida.
Para provar que a epidemia de dança compulsiva não foi lenda coisa nenhuma, o historiador John Waller lançou, 490 anos depois, um livro de 276 páginas sobre o frenesi mortal: “A Time to Dance, A Time to Die: The Extraordinary Story of the Dancing Plague of 1518”. Segundo o autor, registros históricos documentam as mortes pela fúria dançante: anotações de médicos, sermões, crônicas locais e atas do conselho de Estrasburgo.
276 páginas - Historiador recuperou documentos da época atestando as mortes pela fúria dançante (Imagem: reprodução)
Um outro especialista, Eugene Backman, já havia escrito em 1952 o livro "Religious Dances in the Christian Church and in Popular Medicine". A tese é que os alsacianos ingeriram um tipo de fungo (Ergot fungi), um mofo que cresce nos talos úmidos de centeio, e ficaram doidões. (Tartarato de ergotamina é componente do ácido lisérgico, o LSD.)
Waller contesta Backman. Intoxicação por pão embolorado poderia sim desencadear convulsões violentas e alucinações, mas não movimentos coordenados que duraram dias. O sociólogo Robert Bartholomew propôs a teoria de que o povo estava na verdade cumprindo o ritual de uma seita herética. Mas Waller repete: há evidência de que os dançarinos não queriam dançar (expressavam medo e desespero, segundo os relatos antigos). E pondera que é importante considerar o contexto de miséria humana que precedeu o carnaval sinistro: doenças como sífilis, varíola e hanseníase, fome pela perda de colheitas e mendicância generalizada. O ambiente era propício para superstições.
Uma delas era que se alguém causasse a ira de São Vito (também conhecido por São Guido), ele enviaria sobre os pecadores a praga da dança compulsiva. A conclusão de Waller é que o carnaval epidêmico foi uma “enfermidade psicogênica de massa”, uma histeria coletiva precedida por estresse psicológico intolerável.
Nonstop dancing – Gravura do artista Henricus Hondius (1573-1610) retrata três mulheres acometidas pela praga da dança; obra é baseada em desenho original de Peter Brueghel, que teria testemunhado um dos surtos subsequentes, em 1564 na região de Flandres (Imagem: reprodução)
Outros seis ou sete surtos afetaram localidades belgas depois da bagunça iniciada por Frau Troffea. O mais recente que se tem notícia ocorreu em Madagascar na década de 1840.
*Com informações do site Discovery News, por Jennifer Viegas
sexta-feira, 25 de junho de 2010
As concepções de Higiene na Idade Média
Não havia higiene na Idade Média?
Os homens cheiravam mal e não trocavam de roupa, e os camponeses viviam com animais. Não existiam banhos, mesmo porque lavar-se não era coisa bem vista. Certo? Errado!
por Olivier Tosseri
Os homens cheiravam mal e não trocavam de roupa, e os camponeses viviam com animais. Não existiam banhos, mesmo porque lavar-se não era coisa bem vista. Certo? Errado!
por Olivier Tosseri
Muita gente aprende nos bancos escolares ou em referências no cinema e em livros que os tempos medievais foram um zero à esquerda em matéria de asseio. Não é bem assim. Havia higiene na Idade Média, quando também se usava a água por prazer. Esse só não era um valor tão disseminado como hoje nas sociedades carentes, como em todos os períodos passados, de meios de educação abrangentes e democráticos.
Acervos preciosos de arte e objetos do período incluem itens usados na toalete de homens e mulheres, assim como iluminuras que representam pessoas se lavando. Os tratados de medicina e educação de Bartholomeus Anglicus, Vicente de Beauvais ou Aldobrandino de Siena, monges que viveram no século XIII, mostram uma preocupação real em valorizar a limpeza, principalmente a infantil. Coleção Waldburg-Wolfegg, Castelo de Wolfegg
Banho público na Alemanha. Ilustração de manuscrito do século XV
A água era um elemento terapêutico e servia tanto para prevenir quanto para curar as doenças. Desenvolveram-se as estâncias termais e era recomendado e estimulado lavar-se regularmente. Como as casas não tinham água corrente, os grandes locais de higiene eram os banhos. Certamente herdados da Antiguidade, é provável que tenham voltado à moda graças aos cruzados retornados do Oriente, onde se havia conservado a tradição.
Nas cidades, a maioria dos bairros tinha banhos públicos, chamados de “estufas”, cuja abertura os pregoeiros anunciavam de manhã. Em 1292, Paris, por exemplo, contava com 27 estabelecimentos. Alguns deles pertenciam ao clero. O preço da entrada era elevado, e nem todos podiam visitá-los com assiduidade.
Na origem, os frequentadores se contentavam com a imersão em grandes banheiras de água quente. O procedimento se aperfeiçoou com o surgimento de banhos saturados de vapor de água. Utilizava-se o sabonete ou a saponária, planta que fazia a água espumar, para um melhor resultado. Para branquear os dentes, recorria-se a abrasivos à base de conchas e corais.
Tal era o sucesso desses locais que a corporação dos estufeiros foi regulamentada. Eles tinham direito a preços predeterminados e o dever de manter água própria e impedir a entrada de doentes e prostitutas. A verdade, porém, é que as estufas foram se transformando cada vez mais em lugar de encontros galantes: os banhos em comum e os quartos colocados à disposição dos clientes favoreciam a prostituição.
No século XIV, recorreu-se a éditos para separar os homens das mulheres, mas foi durante o século XV que se verificou uma mudança de mentalidade. A Igreja endureceu suas regras morais, pois passou a ver com maus olhos tudo quanto se relacionasse com o corpo. E os médicos já não consideravam a água benéfica, mas sim responsável e vetor de enfermidades e epidemias. Segundo eles, os poros dilatados facilitavam a entrada de miasmas e impurezas.
A grande peste de 1348 recrudesceu esse entendimento. Desde então, passou-se a desconfiar da água, que devia ser usada com moderação. Os banhos declinaram e, pouco a pouco, desapareceram. Foi preciso aguardar o século XIX e o movimento higienista para que se produzisse uma nova mudança de mentalidade.
Fonte: História Viva
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